OAB
Exame de Ordem 1ª fase: como é a prova e o que estudar
São 80 questões, 5 horas e 40 acertos para passar. Este guia mostra como a prova é montada, quanto pesa cada disciplina e como distribuir o estudo sem desperdiçar semana.
Atualizado em 14 min de leitura
Como é a prova da 1ª fase
A primeira fase do Exame de Ordem é uma prova objetiva com 80 questões de múltipla escolha, cada uma com quatro alternativas (A, B, C e D), aplicada em 5 horas. Ela tem caráter eliminatório: quem não atinge a nota mínima não avança para a segunda fase e precisa refazer a objetiva em um exame seguinte.
A banca é a FGV, responsável pela elaboração e pela aplicação. É uma prova única para todo o país, com o mesmo caderno e o mesmo conteúdo, independentemente da seccional em que você se inscreveu.
- Questões: 80, todas objetivas
- Alternativas: quatro por questão, de A a D
- Duração: 5 horas
- Caráter: eliminatório
- Aprovação: 40 acertos
- Banca: FGV
Datas, horários, locais de prova, regras de identificação e prazos de recurso mudam a cada edição. Confira sempre o edital oficial do exame em que você está inscrito — este guia trata do formato, não do calendário.
A matemática da aprovação: 40 em 80
A nota mínima da prova objetiva é de 40 acertos, conforme o Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB. Metade da prova. Isso muda completamente a lógica do estudo, e quase todo mundo demora a entender por quê.
Você pode errar 40 questões e passar. Ninguém pergunta, depois, se a aprovação veio com 41 ou com 68 acertos: a 1ª fase não gera classificação, gera acesso à segunda fase. Quem estuda como se precisasse gabaritar acaba gastando semanas em detalhes caros e chegando despreparado no que é volumoso.
Três consequências práticas:
- Nenhuma questão vale mais que outra. Oito questões de Ética valem exatamente o mesmo que oito questões de Direito Civil. O peso de uma disciplina vem da quantidade de questões que ela ocupa no caderno, e de nada mais.
- Profundidade excessiva em disciplina pequena é prejuízo. Passar duas semanas dominando uma matéria que rende duas questões é trocar tempo caro por retorno pequeno.
- A margem existe, mas não é infinita. Errar 40 parece confortável até você somar as questões que não sabia responder porque nunca abriu a matéria.
A conta que muda o plano: a meta não é acertar tudo. A meta é montar um conjunto de disciplinas que, somadas, entreguem 40 acertos com folga. O resto do guia mostra quais disciplinas formam esse conjunto.
Quanto pesa cada disciplina: nosso levantamento dos Exames 43º a 46º
O edital lista as disciplinas cobradas, mas não publica conteúdo programático por tópico da 1ª fase nem tabela de distribuição de questões. Ou seja: a única forma confiável de saber quanto cada matéria pesa é contar nas provas já aplicadas.
Foi o que fizemos. Conferimos os cadernos dos Exames 43º, 44º, 45º e 46º e a distribuição se repetiu nos quatro: as mesmas disciplinas, na mesma ordem e com a mesma quantidade de questões. A faixa de numeração abaixo decorre dessa ordem fixa.
| Disciplina | Questões | Faixa na prova | Fatia do caderno |
|---|---|---|---|
| Ética Profissional e Estatuto da OAB | 8 | 1 a 8 | 10% |
| Filosofia do Direito | 2 | 9 e 10 | 2,5% |
| Direito Constitucional | 6 | 11 a 16 | 7,5% |
| Direitos Humanos | 2 | 17 e 18 | 2,5% |
| Direito Eleitoral | 2 | 19 e 20 | 2,5% |
| Direito Internacional | 2 | 21 e 22 | 2,5% |
| Direito Financeiro | 2 | 23 e 24 | 2,5% |
| Direito Tributário | 5 | 25 a 29 | 6,3% |
| Direito Administrativo | 5 | 30 a 34 | 6,3% |
| Direito Ambiental | 2 | 35 e 36 | 2,5% |
| Direito Civil | 6 | 37 a 42 | 7,5% |
| Estatuto da Criança e do Adolescente | 2 | 43 e 44 | 2,5% |
| Direito do Consumidor | 2 | 45 e 46 | 2,5% |
| Direito Empresarial | 4 | 47 a 50 | 5% |
| Direito Processual Civil | 6 | 51 a 56 | 7,5% |
| Direito Penal | 6 | 57 a 62 | 7,5% |
| Direito Processual Penal | 6 | 63 a 68 | 7,5% |
| Direito Previdenciário | 2 | 69 e 70 | 2,5% |
| Direito do Trabalho | 5 | 71 a 75 | 6,3% |
| Direito Processual do Trabalho | 5 | 76 a 80 | 6,3% |
| Total | 80 | 1 a 80 | 100% |
Leia com cuidado: esta tabela é um levantamento nosso sobre quatro exames, não uma regra publicada pela banca. A FGV não se compromete com essa distribuição e pode alterá-la sem aviso prévio. Use como bússola de prioridade, nunca como certeza — e confira as disciplinas listadas no edital oficial do seu exame.
Três grupos de peso: onde o seu tempo rende mais
A tabela fica mais útil quando você agrupa as disciplinas por faixa de peso. Da distribuição acima saem três grupos bem diferentes entre si:
Núcleo pesado — 38 questões
Ética Profissional (8), Constitucional (6), Civil (6), Processual Civil (6), Penal (6) e Processual Penal (6). São seis disciplinas que sozinhas somam 38 das 80 questões — praticamente a nota de aprovação inteira. Nenhum plano de estudo que trate essas seis como equivalentes às demais faz sentido.
Núcleo médio — 24 questões
Tributário (5), Administrativo (5), Trabalho (5), Processual do Trabalho (5) e Empresarial (4). Cinco disciplinas de peso intermediário, que juntas valem quase um terço da prova.
Cauda longa — 18 questões
Filosofia do Direito, Direitos Humanos, Eleitoral, Internacional, Financeiro, Ambiental, ECA, Consumidor e Previdenciário: nove disciplinas com 2 questões cada.
Some os dois primeiros grupos: onze disciplinas, 62 questões. Acertar dois terços delas dá 41 pontos, um a mais que a nota de corte, sem depender de nenhuma matéria da cauda longa. Isso é aritmética, não promessa: ninguém acerta de forma uniforme, e essa conta só existe para mostrar onde o esforço tem mais retorno.
Não descarte a cauda longa. São 18 questões, quase um quarto da prova. E são disciplinas de conteúdo enxuto, em que duas questões costumam sair de um punhado pequeno de temas. Ponto por hora de estudo, esse é o grupo mais barato do caderno — desde que você estude o que repete, e não a disciplina inteira.
Ética Profissional: a disciplina que mais decide o exame
Com 8 questões, Ética Profissional e Estatuto da OAB é o maior bloco isolado da prova. São 10% do caderno e, mais relevante, 20% dos 40 acertos que você precisa. Nenhuma outra disciplina chega perto desse peso individual.
Três razões para ela ser a primeira do seu cronograma, e não a última:
- O conteúdo é delimitado. Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral e Código de Ética e Disciplina formam um corpo normativo pequeno perto de qualquer código. Dá para ler tudo, e reler.
- O retorno por hora é o melhor da prova. Oito questões saindo de um material que cabe em poucas semanas de estudo é uma relação que nenhuma outra disciplina oferece.
- É a única matéria que ninguém viu na faculdade com essa profundidade. Quem chega ao exame confiando no que lembra da graduação costuma errar exatamente aqui.
No nosso levantamento, esse bloco abre a prova — são as oito primeiras questões. Você entra no caderno pelo trecho mais rentável, o que também significa que um começo ruim em Ética contamina o ritmo do resto. Estude essa disciplina até ela virar a mais confortável das vinte.
O que o edital diz — e o que ele não diz
Esta é a diferença mais desconcertante entre a OAB e um concurso comum. Em concurso, o anexo do edital traz o conteúdo programático tópico a tópico, e você risca a lista conforme estuda. Na 1ª fase do Exame de Ordem, o edital lista as disciplinas cobradas, mas não publica conteúdo programático por tópico.
Isso costuma provocar duas reações erradas:
- Estudar a disciplina inteira, como na graduação. Direito Civil sem recorte é um oceano. Você não tem semestres, tem semanas.
- Estudar por resumo aleatório. Sem lista oficial, muita gente adota o primeiro material que aparece, sem saber se ele cobre o que a banca costuma cobrar.
O caminho que funciona é deixar as provas anteriores desenharem o programa. O procedimento é simples e vale o fim de semana que consome:
- separe os cadernos dos últimos exames por disciplina, usando as faixas de numeração da tabela acima;
- anote, em uma linha, o tema de cada questão — não a questão, só o tema;
- conte as repetições.
Em pouco tempo você terá, para cada disciplina, uma lista curta de temas recorrentes. É o mais próximo de um conteúdo programático que existe para a 1ª fase, e tem a vantagem de ser construído a partir do que a banca de fato cobrou. A lista oficial de disciplinas, essa sim, está no edital: confira no edital oficial do seu exame.
O estilo da FGV: prova de caso, não de definição
Saber o peso das disciplinas resolve metade do problema. A outra metade é o formato das questões, e aí a FGV tem um jeito próprio bem reconhecível.
O enunciado típico narra um caso: aparecem personagens com nome, uma situação concreta, datas, valores, uma providência já tomada. Só no fim vem a pergunta, quase sempre sobre a saída jurídica correta — o que o advogado deve fazer, qual medida cabe, qual prazo se aplica, qual conduta o Estatuto admite.
A consequência prática é direta: decorar definição não resolve. Você pode saber a diferença entre dois institutos de cor e ainda assim errar a questão, porque o trabalho não é lembrar o conceito, é encaixar o conceito no caso descrito. E as alternativas erradas são construídas para parecerem certas — trocam um instituto pelo instituto vizinho, alteram um prazo, generalizam uma regra que tem exceção.
Treinar esse encaixe é uma habilidade separada de estudar a matéria, e é treinável. O guia Banca FGV na OAB: o estilo das questões e como treinar destrincha a anatomia do enunciado, os tipos de distrator e um método de leitura para não cair neles.
Plano de estudo: em que ordem atacar as vinte disciplinas
Um roteiro que respeita os pesos da prova, para quem está montando o cronograma do zero:
- Antes de tudo (um dia). Leia o edital inteiro e monte a sua própria tabela de pesos a partir das provas anteriores. Meia dúzia de horas aqui economiza semanas depois.
- Ética primeiro, sempre. É a maior disciplina, o material é o menor e o retorno é o mais alto. Só saia dela quando estiver acertando com folga em questões de exames anteriores.
- Depois, o núcleo pesado. Constitucional, Civil, Processual Civil, Penal e Processual Penal. Cinco disciplinas de 6 questões, 30 pontos. Estude alternando material teórico e civil com processual — os pares se sustentam.
- Em seguida, o núcleo médio. Tributário, Administrativo, Trabalho, Processual do Trabalho e Empresarial. Aqui já vale ir direto pelos temas recorrentes que você mapeou.
- Cauda longa por temas campeões. Nas nove disciplinas de 2 questões, não estude a matéria: estude os temas que aparecem. Duas questões por disciplina saem de um conjunto pequeno e repetitivo de assuntos.
- Ciclo semanal. Teoria e questões da mesma matéria no mesmo dia. Estudar segunda e resolver questões só no sábado joga fora a maior parte da retenção.
- Revisão programada. Volte ao que estudou depois de uma semana e de um mês. Sem repetição espaçada, o conteúdo das primeiras semanas evapora.
- Pelo menos dois simulados completos. Prova inteira, 80 questões, cronometrada em 5 horas, sem consulta. Um no meio do cronograma, outro nas últimas duas semanas.
Se você ainda está montando a rotina antes de escolher material — quantas horas por dia, como registrar erros, como não abandonar na terceira semana — o guia Como estudar para concurso do zero trata dessa camada.
Como usar provas anteriores de verdade
"Resolver provas anteriores" virou conselho automático, e por isso quase ninguém pergunta para quê. Existem três usos distintos, e eles pedem posturas diferentes:
- Mapear o programa. Aqui você nem resolve: só lê e anota temas. Vale para o começo do cronograma.
- Treinar reconhecimento de padrão. Você resolve por disciplina, sem cronômetro, parando para entender cada erro. É a maior parte do tempo.
- Simular a prova real. Caderno inteiro, cinco horas, sem pausa longa e sem consulta. Vale duas ou três vezes no cronograma, não mais.
A regra que separa quem evolui de quem só acumula questões resolvidas é esta: ao corrigir, escreva por que cada alternativa errada está errada. Se você não consegue explicar por que a B é falsa, você não sabe a questão — acertou por eliminação ou por sorte, e vai errar a próxima do mesmo tema.
Mantenha um caderno de erros classificado por tipo, porque o tratamento de cada um é diferente:
- Erro de conteúdo — você não sabia. Solução: voltar à matéria.
- Erro de leitura — você sabia, mas leu o comando errado ou pulou um dado do enunciado. Solução: mudar o modo de ler, não estudar mais.
- Erro de armadilha — você caiu num distrator plausível. Solução: estudar o padrão da banca.
Cuidado com questão desatualizada. Provas antigas podem cobrar norma que mudou ou entendimento que foi superado. Ao revisar uma questão de exames mais afastados, confira se a regra citada continua em vigor antes de gravar a resposta.
Sete erros que reprovam na 1ª fase
- Tratar as vinte disciplinas como iguais. Dar a Filosofia do Direito o mesmo tempo que a Ética é distribuir esforço contra a estrutura da prova.
- Deixar Ética para o fim. É a maior disciplina do caderno e a que menos gente domina. Estudada por último, costuma ser estudada pela metade.
- Só teoria, nenhuma questão. Ler resumo dá sensação de progresso sem produzir a habilidade que a prova cobra, que é aplicar norma a caso concreto.
- Ignorar as disciplinas de duas questões. São 18 pontos, quase um quarto da prova, no material mais barato que existe no exame.
- Nunca simular as cinco horas. Resistência de leitura é treinável e se descobre em simulado, não no dia da prova.
- Ler as alternativas antes do comando. Em prova casuística, quem lê as opções antes de saber o que foi perguntado entrega a leitura para o distrator.
- Perseguir nota alta. O alvo é 40 acertos com margem de segurança. Estudar para gabaritar dispersa o tempo justamente onde ele rende menos.
As cinco horas: como o tempo se distribui na prova
Cinco horas são 300 minutos para 80 questões. Se você reservar 20 minutos para transcrever as respostas ao cartão e 10 para conferir a transcrição, sobram 270 minutos de resolução — algo em torno de 3 minutos e 20 segundos por questão, em média.
Média é a palavra que importa. Uma questão de Ética bem estudada sai em um minuto; uma de Processual Civil com quatro alternativas longas pode consumir seis. O plano que funciona é o de duas passadas:
- Primeira passada: resolva tudo o que você reconhece de imediato e marque no caderno as questões duvidosas. Não brigue com nenhuma questão nessa fase. Se travou, siga.
- Segunda passada: volte às marcadas com o tempo restante conhecido. Você decide onde investir sabendo quanto sobrou.
Transcreva as respostas ao cartão em blocos, conforme fecha cada disciplina, e não tudo no fim. Deixar a transcrição inteira para os últimos minutos é o erro que transforma prova boa em prova perdida.
Sobre chutar: com quatro alternativas, um palpite informado depois de eliminar uma ou duas opções tem chance real. Confira no edital do seu exame se há alguma previsão de desconto por erro antes de decidir a sua política de resposta.
Por onde começar esta semana
Se você fechar esta página agora, faça estas quatro coisas em ordem:
- Baixe o edital oficial do exame em que pretende se inscrever e leia a parte que trata da prova objetiva e da nota mínima.
- Baixe os cadernos e gabaritos dos últimos exames e monte a sua tabela de temas por disciplina.
- Abra Ética. Estatuto, Regulamento Geral e Código de Ética. Comece pelo bloco de maior peso enquanto a disposição está inteira.
- Marque no calendário a data dos dois simulados completos. Data marcada com antecedência é a única que sobrevive.
O plano acima não depende de material caro nem de cronograma complicado. Depende de você saber o que a prova pesa — e agora você sabe.
Perguntas frequentes
Quantas questões preciso acertar na 1ª fase da OAB?
São necessários 40 acertos nas 80 questões da prova objetiva, conforme o Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB. A fase é eliminatória e não gera classificação: acima de 40 acertos, o resultado é o mesmo.
Quanto tempo dura a prova da 1ª fase do Exame de Ordem?
A prova objetiva tem duração de 5 horas para 80 questões de múltipla escolha, com alternativas de A a D. Horário de abertura dos portões e regras de permanência mínima constam do edital oficial de cada exame.
Qual matéria cai mais na 1ª fase da OAB?
No nosso levantamento sobre os Exames 43º a 46º, Ética Profissional e Estatuto da OAB foi o maior bloco isolado, com 8 questões. Em seguida vêm Constitucional, Civil, Processual Civil, Penal e Processual Penal, com 6 questões cada. É um padrão observado, não uma regra publicada pela banca.
O edital da OAB traz conteúdo programático da 1ª fase?
O edital lista as disciplinas cobradas, mas não publica conteúdo programático por tópico da prova objetiva. Por isso o mapeamento de temas a partir de exames anteriores é a forma prática de descobrir o que a banca costuma cobrar em cada matéria.
Dá para passar estudando só as disciplinas que caem mais?
Aritmeticamente, as onze disciplinas de maior peso somam 62 das 80 questões, e dois terços delas já ultrapassam os 40 acertos. Mas ninguém acerta de forma uniforme, e abrir mão das nove disciplinas menores significa descartar 18 questões de material barato. O uso correto dos pesos é priorizar a ordem do estudo, não eliminar matéria.
Vale a pena resolver provas anteriores da FGV?
Vale, e é o treino mais próximo da prova real — desde que você corrija explicando por que cada alternativa errada está errada. No Concurseiro RPG, questões de exames anteriores da OAB estão organizadas por disciplina e exame, com gabarito oficial e identificação de origem.
Fontes
- Editais do Exame de Ordem Unificado publicados pelo Conselho Federal da OAB e pela FGV
- Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB, que fixa a nota mínima da prova objetiva
- Levantamento próprio sobre os cadernos de prova e gabaritos oficiais dos Exames 43º, 44º, 45º e 46º